Num auditório de um colégio qualquer, uma professora sobe no palco para falar sobre alguma coisa que não lembro bem o que era.
Para acalmar os alunos eufóricos, ela promete uma surpresa e faz um sorteio improvisado apontando um garoto qualquer na multidão.

- Humm… Timótio! Você. Você é quem vai ganhar o presente. Agora todos fiquem calmos que sorteio outro depois.

O garoto, logo que ouviu seu nome, apressou-se em responder a professora na sala agora em siêncio.

- Eu? De novo? Eu ainda estou esperando o presente que a senhora prometeu da outra vez. Fico pensando se esse vai ser mais um dos que vou ter de esperar um tempão e nunca vou receber.

A professora replicou.

- Ah, vai receber sim. Não se preocupe. É que ando ocupada e minha casa está uma bagunça. Mas sempre o procuro para trazer. Assim que o encontrar, trago.

- Sabe… isso é que me deixa triste. Cada uma destas vezes em que você fala que está procurando mas, na verdade, não faz um pingo de esforço para cumprir o que prometeu. E ainda me diz que vai trazer. Porque você acha que isso não me doi?

- Timótio, você é só um menino! Não se preocupe com essas coisas. Logo, logo seu presente virá.

- Ah… então, como sou menino, devo esquecer que tenho sentimento? Ou… você acha que não tenho sentimentos porque sou um menino?

O silêncio da sala transforma-se num barulhento cochichar de idéias diversas mas que, pelo tom, pareciam em maioria concordar com o garoto falador.



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